

Prêmio Eduardo de Oliveira e Oliveira 2026
Quarenta e seis anos após a sua morte, Eduardo de Oliveira e Oliveira (1924-1980) é o homenageado nesta premiação, parte da décima edição do Seminário Discente do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade de São Paulo (PPGS-USP). Cientista social, músico, ativista e professor, Eduardo ocupou o mesmo espaço acadêmico que hoje abriga este evento e cuja produção intelectual permanece viva e necessária.
Durante sua trajetória na Universidade de São Paulo, Oliveira reivindicou a ampliação das pesquisas étnico-raciais, por exemplo, por meio da Quinzena do Negro, em 1977. Nesse evento fez uma importante crítica à produção intelectual uspiana: “Nós (negros) passamos séculos ouvindo vocês. Quando chega a hora de falarmos, vocês dizem que não têm tempo para nos ouvir”¹.
Como discente do PPGS-USP, Oliveira formulou algumas de suas contribuições mais ousadas: o mestrado, intitulado Ideologia Racial: estudo de relações raciais, partia da perspectiva inédita de um pesquisador-sujeito e evoluiu para o doutorado História e Consciência de Raça, que, embora não finalizado, deixou projetos e esboços que anteciparam debates que só ganhariam centralidade décadas depois.

O prêmio que leva o seu nome honra esse legado ao reconhecer pesquisas desenvolvidas no âmbito da pós-graduação da Universidade de São Paulo que, assim como ele fez, colocam a questão étnico-racial no centro da produção do conhecimento sociológico.
Reconhecê-lo agora é um gesto de memória, mas também de compromisso, uma afirmação de que a universidade a que ele dedicou seus esforços intelectuais e políticos segue sendo provocada por seu legado.
Elizabeth Arruda
Ana Carolina de Paula Lima
Quem pode se inscrever?
- Serão elegíveis os trabalhos que adotem e abordem como foco central a questão étnico-racial ou que incorporem a dimensão étnico-racial como variável analítica central fundamental para a compreensão de qualquer objeto depesquisa;
- Podem concorrer exclusivamente trabalhos desenvolvidos por estudantesregularmente matriculados em programas de pós-graduação ou porpesquisadores já titulados em nível de pós-graduação.
¹ 1 CASTRO, Conrado Pires de. Luiz Pereira e sua circunstância: entrevista com José de Souza Martins .Tempo Social, São Paulo, Brasil, v. 22, n. 1, p. 211–276, 2010. DOI: 10.1590/S0103-20702010000100011.Disponível em: https://revistas.usp.br/ts/article/view/12634. Acesso em: 28 jun. 2026.
Prêmio Sylvia Gemignani Garcia de Iniciação Científica2026
Além de inaugurar uma nova categoria, essa premiação foi desenvolvida com profundo carinho à docente Sylvia Gemignani Garcia, e sua trajetória na Universidade de São Paulo, a qual demonstrou esse mesmo sentimento aos pesquisadores em início de carreira.
Sylvia dedicou 32 anos de sua vida ao Departamento de Sociologia (DS-USP), desde sua entrada em 1993 até sua aposentadoria em 2025. Quem pôde acompanhar suas aulas encontrou uma docente com brilho nos olhos, capaz de despertar a imaginação sociológica de seus discentes e de unir o rigor acadêmico a um fascínio pelo conhecimento.
Uma de suas atuações mais memoráveis foi como tutora do Programa de Educação Tutorial (PET) do curso de Ciências Sociais. Durante anos, Sylvia liderou com carinho a elaboração de um survey sobre o perfil dos estudantes, acompanhando de perto as transformações trazidas pelas cotas sociais e raciais. Ela queria entender quem eram os ingressantes no curso de Ciências Sociais da Universidade de São Paulo e como, ao longo dos anos, seu perfil se transformava.
Para isso, nas aulas de Sociologia I, incentivava os calouros a responderem ao questionário e a darem seus primeiros passos na pesquisa. Essa sensibilidade não era por acaso. Desde sua tese de doutorado, que deu origem ao livro “Destino ímpar: sobre a formação de Florestan Fernandes” (2002), a docente já se dedicava a compreender as trajetórias de estudantes das classes populares.

E o que começou como pesquisa transformou-se em um compromisso ético. Sylvia não queria apenas analisar dados, queria abrir portas e fazer com que cada estudante vivesse a universidade e o ofício sociológico como um horizonte real e legítimo.Sua contribuição para a criação do Grupo de Pesquisa em Sociologia das Elites, Educação, Cultura e Conhecimento (GPSEECC) estimulou de maneira singular a formação de novos mestres, doutores e professores, que seguem tendo Sylvia como referência em sua prática pedagógica e de pesquisa. Dar o nome de Sylvia Gemignani Garcia a este prêmio é uma homenagem à sua trajetória ética e profissional, uma forma de manter viva sua dedicação aos discentes e à produção de conhecimento que ela inspira.
Texto de Ana Carolina de Paula Lima, Elizabeth Arruda, Laura Giannecchini, Mel Dokter-Palomo e Nayane Brassaroto
Quem pode se inscrever?
- Serão elegíveis os trabalhos desenvolvidos no âmbito da Iniciação Científica, em estágio parcial ou concluído há no máximo 7 meses, inscritos no X Seminário Discente do PPGS-USP, dos mais variados temas que se encaixem na produção de conhecimento sociológico.



